Cartas Do Paraíso | Boa Companhia

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Posts marcados como ‘Cartas do Paraíso’

Cartas do Paraíso

3 Comentários »

fevereiro 18th, 2010 Postado 7:38 pm

O Projeto “Cartas do Paraíso” está em processo de criação e execução, e dará origem a décima sexta montagem teatral da Boa Companhia. Contemplado pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2008, este projeto prevê palestras, debates e ensaios abertos ao público como procedimento de criação cênica, e dá prosseguimento à pesquisa de linguagem que a companhia desenvolve ao longo de sua trajetória, em que o processo de encenação parte do trabalho do ator e se nutre de elementos de outras artes cênicas como a dança, música, circo, e outras mídias como foto e vídeo.

Todo este trabalho é sustentado pelo ideal de alcançar um padrão diferenciado no fazer artístico, visa estabelecer um diálogo cada vez mais intenso com o público, estabelecendo um espaço de encontro onde se possa questionar o mundo em que vivemos, discutir nosso papel como atores da realidade que construímos, buscando assim ampliar a consciência de si e do mundo: tanto dos que fazem, quanto dos que assistem o teatro.

SINOPSE

Acima da Linha do Equador, homens desafiam o mar tenebroso em busca de novos caminhos, de nova terras, quem sabe, um Paraíso.

Abaixo da linha do Equador, outros homens dançam até seus corpos se tornarem leves e serem levados pelo vento, acima e além das grandes águas para alguma terra sem males, quem sabe, um Paraíso.

Na linha branca de areia, começo de um caminhar, pra beira de outro lugar, esses homens se encontram, devoram-se, transformam-se uns nos outros, amalgamados, mestiços, amedrontados e pasmos diante da morte.

A bordo das canoas com asas viajam um degredado, um padre, um jovem cartógrafo, um bufão. Na praia, os aguardam xamãs e guerreiros. na iminência de um apocalipse dois imaginários se encontram e se perguntam: alguém sabe onde fica o paraíso?

RELEASE

Com este mote, a Boa Companhia traz à cena a sexta montagem teatral, no décimo oitavo ano de sua história. Cartas do Paraíso tem como material dramatúrgico cartas escritas por jesuítas, exploradores e viajantes nos primeiros tempos nesta Terra de Santa Cruz, Pindorama ou mítica Hi-Brasil, nesta que foi a “primeira aventura globalizante da humanidade”.

A encenação de Cartas do Paraíso foi criada a partir dos relatos de jesuítas e viajantes no início da colonização.  A radical diferença entre as duas visões de mundo foi o ponto de partida para a criação de uma poética luso-tropicalista, pautada na mestiçagem, no encontro e no confronto de imaginários tão ricos: o do Portugal renascentista e mercantilista e a cultura indígena brasileira, sendo ela mesma extremamente múltipla.

Cartas do Paraíso dá prosseguimento à pesquisa de linguagem que a companhia vem desenvolvendo ao longo de sua trajetória, em que o processo de encenação parte do trabalho do ator e se nutre de elementos de outras artes cênicas como a dança, música e performance e agora buscando um diálogo maior com outras mídias áudio visuais. No entanto, é a construção do corpo cênico o elemento central de toda criação artística do grupo, e que neste novo espetáculo busca uma radicalidade ainda maior, desfazendo os limites do personagem e mergulhando na performance de estados e vibrações.

Nas primeiras cartas de jesuítas e viajantes a terra nova é comparável a um paraíso na Terra (quiçá o próprio paraíso), o que, no imaginário cristão, evoca tensões. Por um lado, a idéia de um além, de um depois do fim e antes do princípio, lugar mítico na terra governado por Deus e pelo bem, território sagrado de concretização da experiência material-transcedental da vida. Por outro lado, a imagem de paraíso carrega tanto a idéia de redenção, paz e equilíbrio quanto a idéia do pecado, da queda representada nas figuras de Eva, a serpente e o fruto do conhecimento. Poderia “paraíso” ter para nós um significado atual? Qual seria o nosso fruto proibido?

Apoiados em pesquisas bibliográficas, iconográficas e sonoras, procuramos construir uma encenação partindo dessas imagens, mas que não busque nenhuma reconstrução histórica. Interessa-nos acompanhar as metamorfoses da idéia de Paraíso projetada pelo imaginário europeu na terra de Pindorama (Terra de Santa Cruz) e buscar a reverberação disso na construção de uma singularidade brasileira, acelerando no tempo, atravessando o movimento modernista (bradando tupi or not tupi!),  o tropicalismo ( aqui é o fim do mundo, de Torquatro Neto) até desembocarmos na complexidade atual da crise ambiental, da crise ética, neste cenário pré-apocalíptico de um mundo globalizado e bárbaro.

Revisitamos tais relatos não para recontar suas histórias, mas sim para desorganizá-los na procura de novas possibilidades, assim como o nativo do território descoberto que, com o seu entendimento das coisas, ameaçou desorganizar o progresso que ancorava em seu litoral.

FICHA TÉCNICA

Atuação: Alexandre Caetano, Eduardo Osorio, Gustavo Valezi e Moacir Ferraz
Direção: Verônica Fabrini
Direção Musical e trilha sonora: Silas Oliveira
Preparador Corporal: Rafael Barzagli Oliveira
Iluminação: Cláudia Echenique
Figurino: Guilherme Guedes
Projeto gráfico: Gustavo Valezi e Alexandre Caetano
Edição audiovisual: Gustavo Valezi
Técnico luz: Cláudia Echenique
Técnico som: Erico Daminelli
Produção: Cassiane Tomilhero, Carolina Delduque e Erika Cunha
Realização: Boa Companhia

Divulgue!:
  • Twitter
  • Print
  • Google Bookmarks
  • Facebook
  • MySpace
  • PDF